O primeiro semestre de 2025 trouxe sinais claros de transformação no consumo de vinhos no Brasil. Mesmo em um cenário macroeconômico desafiador, com juros elevados de 15% ao ano, inflação projetada acima de 5% e volatilidade cambial, o mercado seguiu em expansão. Segundo dados consolidados pela Ideal BI, empresa especializada em inteligência de dados para o setor de bebidas, o país importou 8,1 milhões de caixas no período, movimentando 240 milhões de dólares.
Importância dos pequenos produtores no Brasil
Essa mudança foi impulsionada por lojas especializadas, canais com curadoria autoral, clubes de assinatura e e-commerces com portfólios mais enxutos e únicos. Vinícolas de pequeno e médio porte, tanto brasileiras quanto internacionais, ganharam protagonismo ao entregar experiências mais próximas e conexões mais verdadeiras com o cliente. O comportamento de compra revela uma busca crescente por vínculos duradouros com marcas, histórias e territórios de origem. Essa questão é preocupante, pois os pequenos e médios produtores convivem com dificuldades produtivas, como baixa produtividade, baixo preço, altos custos etc. Diante dos fatos, a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) tem exercido pressão junto ao governo para que disponha subsídios e recursos para tais agricultores. Até abril deste ano, os gaúchos foram responsáveis por 90% da produção de vinho nacional, apesar de janeiro ter registrado queda nas vendas por falta de insumos, como vidro e papelão, por causa da pandemia.
Só no Brasil, segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) estima-se que cerca de 7 milhões de pessoas veganas, e no mundo estima-se que há cerca de 80 milhões. Este é um mercado potencial que busca por produtos que atestem comprar vinho a não presença de elementos animais no seu processo de fabricação. Esse aumento mostra o quanto o consumidor vem mudando os hábitos de consumo, principalmente entre o público mais jovem. Em uma pesquisa realizada na França, Alemanha e Reino Unido, cerca de 46% dos consumidores com menos de 35 anos já tinham provado vinho orgânico, enquanto, dos consumidores com mais de 55 anos apenas 38% havia provado esse tipo de vinho. Esse mercado tem apresentado um grande potencial de crescimento, conforme mostra o relatório “Organic Wine Market Forecast to 2028,” publicado pela The Insight Partners. Há uma previsão que o consumo desse mercado possa atingir, em 2028, US$24,55 bilhões com um crescimento anual de cerca de 12% em relação ao valor de 2023 que foi de US$12,47 bilhões.
Além de estimular o consumo, o projeto promove o empreendedorismo e contribui para o fortalecimento da economia local, ao atrair visitantes e consumidores para os polos produtores. O perfil dos consumidores que mais consomem vinho no Brasil — mulheres entre 35 e 44 anos, das regiões Sul e Sudeste, com maior escolaridade e renda — também orienta as estratégias de mercado. O gerente executivo da Associação Gaúcha de Supermercados (AGAS), Francisco Schmidt destacou que mais de 70% das vendas de vinhos no país ocorrem nos supermercados. “Enquanto muitos restaurantes tiveram dificuldades, durante a pandemia, o canal supermercadista permaneceu atendendo e suprindo a demanda das famílias, cujo consumo doméstico aumentou”, revelou. Neste contexto, a maior fatia do mercado, fica com os vinhos importados, que comercializando um pouco mais de 200 mil garrafas de vinhos atingem R$ 10,9 bilhões e representando 56% em valor do mercado brasileiro. Mesmo com as adversidades, esses produtores respondem por grande parte dos alimentos dispostos no mercado interno, boa parte dos alimentos da mesa dos brasileiros é oriunda dos pequenos agricultores.
Dia Mundial do Café destaca paixão brasileira di…
- A semio-foodscape não é apenas um local onde o valor de um determinado produto é articulado, mas um espaço onde ideias sobre cultura, localidade e autenticidade são realizadas, reconfiguradas e mobilizadas.
- Ainda, para 2025, espera-se que tecnologias emergentes, como inteligência artificial e machine learning, se integrem mais aos processos de viticultura.
- “Há os vinhos tradicionais, de regiões demarcadas, mas os rótulos dos demais vinhos precisam ser mais alegres e chamativos”, opinou.
- Suas decisões de compra são influenciadas por considerações de saúde, incluindo certificações orgânicas, menor teor alcoólico e embalagens sustentáveis.
- Desde 1999, Mercosul e União Europeia negociam um acordo de livre comércio que prevê eliminar, em oito anos, as tarifas entre os blocos.
Esse fenômeno é devido ao impulso da globalização e o interesse em experiências gastronômicas diversificadas. Dessa forma permitindo que os consumidores “vejam” histórias sobre a vinícola, notas de degustação ou até harmonizações em tempo real. Embora o país demonstre um crescimento consistente no consumo nos últimos anos, ainda está atrás de potências tradicionais como Estados Unidos, França, Itália e Espanha. O país cresceu 13% em volume e ampliou sua participação total em 3 pontos percentuais, chegando a 48% do mercado nacional. Apesar da dominância, a estabilidade de Portugal e Argentina, ambos com leve retração de 1%, abriu espaço para a entrada de novas origens.
O aumento do turismo está transformando os padrões de consumo de vinhos, com o enoturismo crescendo significativamente entre viajantes mais jovens que buscam compras baseadas em experiências. Esses consumidores mais jovens estão participando cada vez mais de degustações de vinhos, tours em vinhedos e eventos de colheita, demonstrando uma mudança do consumo tradicional para experiências imersivas. Esta tendência é notável em regiões vinícolas emergentes, onde nova infraestrutura turística cria oportunidades de mercado para produtores premium. Muitas vinícolas estão desenvolvendo centros de visitantes, salas de degustação e instalações de acomodação para atender a esta crescente demanda. O impacto econômico do enoturismo se estende além das vendas diretas, já que os visitantes compram mais vinhos per capita do que os não visitantes, gerando receita sustentada para produtores que investem em instalações experienciais. Adicionalmente, o enoturismo contribui para o emprego regional, crescimento do setor de hospitalidade e desenvolvimento de serviços turísticos complementares em regiões produtoras de vinhos.
O aquecimento global está favorecendo o cultivo de castas do Velho Mundo com resultados excepcionais – a produção de vinhos no país cresceu 75% nos últimos 20 anos. A linguagem do vinho é um componente significativo de uma variedade de linguagens alimentares. Essas línguas passaram pelo tempo, espaço e culturas fortalecendo, reunindo, perdendo e evoluindo simbolicamente e sintaticamente na mudança de paisagens linguísticas. Esse processo de “escrita da paisagem” foi denominado pelos linguistas Johan Järlehed e Máiréad Moriarty de semiofoodscape. A semiofoodscape é um conjunto de diferentes bebidas e/ou alimentos, espaços, atores, práticas e normas que enquadram e medeiam a mobilização, o uso e os efeitos de recursos semióticos específicos.
O mercado brasileiro de vinhos e espumantes movimentou, em 2024, mais de R$ 19 bilhões, sendo comercializados 455,8 milhões de litros, incluídos os produtos nacionais e importados, um crescimento de 7,9% em relação a 2023. Os dados são da Ideal BI, que realiza estudos e monitora o mercado brasileiro, e foram apresentados por Diego Bertolini, da Venda + Vinhos, durante a Wine South America. O sucesso desse mercado, contudo, depende de diversos fatores, como a economia, o clima e as mudanças nos hábitos dos consumidores. Essas variáveis continuarão a moldar o panorama do segmento no Brasil, que se afirma cada vez mais como uma indústria robusta e em expansão.
“O projeto representa uma grande oportunidade para os pequenos negócios do setor, pois estimula o empreendedorismo e contribui para o desenvolvimento territorial. Ao atrair um público cada vez maior para as vinícolas, promove o aumento do consumo e fortalece a economia local”, informou a analista da Unidade de Competitividade – Núcleo de Agronegócios e responsável pelo segmento de Vinho do Sebrae Nacional,, Carmen Sousa. Tanto consumidores masculinos quanto femininos priorizam responsabilidade ambiental e social, examinando pegadas de carbono, biodiversidade de vinhedos e práticas de trabalho justo. Clubes de vinhos oferecendo alocações customizadas e degustações virtuais constroem engajamento do cliente através de segmentos de gênero. Comércio social, particularmente através de eventos de compras ao vivo na China e Estados Unidos, atrai participação equilibrada de gênero e aumenta valores médios de compra.
Part II Antiquity and the Civilizations of Wine – 11. The Vineyards of Crete and the Trade of the Aegean Sea
O primeiro deles é a comercialização de vinhos premium e superpremium, resilientes em períodos de crise e crescentes em momentos de prosperidade econômica, uma expectativa para este ano. Nos vinhos de baixo custo, em 2023 vimos uma redução nas vendas e na importação (impactando especialmente vinhos chilenos). Em 2024, a redução das taxas de juro, o aumento do consumo e a aceleração do varejo devem impulsionar esses vinhos, com recuperação de market share e maior espaço na cesta de compras. Diante disto, podemos observar a posição relativamente modesta do Brasil no cenário global da produção de vinho.
As atividades associadas, como degustações, workshops e eventos temáticos, reforçam o engajamento do público e proporcionam uma conexão mais profunda com o universo do vinho. Em um cenário onde a experiência do consumidor é cada vez mais valorizada, o enoturismo demonstra ser uma ferramenta poderosa para a indústria vinícola nacional. De acordo com a pesquisa, 76% dos participantes identificaram um significativo potencial de crescimento para os vinhos produzidos em terras brasileiras. Estes vinhos têm produção a partir de tecnologias avançadas que preservam os sabores e aromas característicos do vinho, mas com uma redução significativa do teor alcoólico. Este segmento está se expandindo rapidamente, com projeções de mercado de um crescimento anual médio acima de 15% nos próximos anos.
No século XIX, de acordo com a historiadora Julie McIntyre, da University of Newcastle (Australia), tal teoria influenciou o pensamento da elite colonial australiana vinculando a fé nas qualidades civilizadoras percebidas no vinho com a criação de uma indústria vinícola em New South Wales. Entretanto, as medidas oficiais dos defensores do vinho para impor a sobriedade foram frustradas por vários fatores. Aliás, como a própria historiadora aponta em outro trabalho, até hoje não há vinícolas de propriedade aborígine na Austrália, permanecendo os nativos excluídos das noções de bebida “civilizada” e de um estilo de vida australiano “cosmopolita” e “contemporâneo” (Mcintyre et al., 2019, p. 46). Schmidt também citou a produção de vinhos branco e rose brasileiros com bom potencial de mercado, revelando que o consumo destes produtos cresce entre os clientes mais jovens. Segundo Diego Bertolini, os espumantes moscatéis superaram em volume os tradicionais brut, nature e extra brut. Ao todo, foram comercializados 37,2 milhões de litros de espumante no Brasil em 2024 – o equivalente a um pouco mais de 40 milhões de garrafas.